Evolução Histórica do Sub-Sector
 
 


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A pesca artesanal em Moçambique é e foi sempre uma actividade tradicional, inscrita na prática social e na cultura da população costeira e da região das águas interiores.

Não há informações pelas quais se explique que, durante o período colonial, a pesca artesanal tenha sido objecto de quaisquer medidas de apoio, por parte dos sucessivos governos coloniais, com vista ao seu progresso. Durante este período, a pesca artesanal caracterizou-se pelo seu atraso técnico generalizado e a sua delimitação a àreas relativamente restritas mantendo-se, fundamentalmente, num estádio primitivo e raramente penetrando nos circuítos mercantís.

Com o advento da Independência Nacional, em 1975, a política do primeiro governo moçambicano consistiu, numa primeira fase, em mobilizar os pescadores para se organizarem em cooperativas de produção e em promover a constituição de novas empresas armadoras, quer estatais quer privadas. Com a criação da Secretaria de Estado das Pescas (SEP) nos finais da década de 70, este reajustamento encontrava-se completado, sendo assim possível iniciar-se com a reflexão sobre a política de desenvolvimento das pescas em geral, incluíndo a pesca artesanal.

No início da década de 80, no quadro desta reflexão, surgiu o conceito de pesca de pequena escala, como forma de agregar numa única estratégia de desenvolvimento formas de produção abrangendo a pesca de subsistência, a pesca artesanal e a semi-industrial. Com isso pretendia-se dar uma perspectiva de progresso, principalmente à pesca artesanal, a qual continuava a ocupar uma posição importante no conjunto da população pesqueira em Moçambique.

Na iniciativa de promover o desenvolvimento da pesca artesanal, foram criados centros de apoio designados por Combinados Pesqueiros (CP's). Esta denominação fazia ressaltar a ideia de que deveriam ser entidades com uma estrutura flexível que, deviam definir-se em resposta às necessidades e perspectivas de desenvolvimento local, caso a caso. É neste contexto que, no princípio desta década de 80 e, na perspectiva de promoção de desenvolvimento da pesca de pequena escala, se criou a Unidade de Direcção da Pesca de Pequena Escala (UDPPE), primeiro organismo do sub-sector que, dentre outras acções, fazia a gestão dos (CP`s).

A adopção do Programa de Reabilitação Económica (PRE), a partir de 1987, introduziu profundas modificações no quadro do funcionamento da pesca de pequena escala em particular da pesca artesanal.

A partir de 1988, a Secretaria de Estado das Pescas, procedeu a um primeiro balanço das consequências da nova situação económica, sendo introduzidos os primeiros ajustamentos, nomeadamente, uma crescente autonomia das empresas estatais no que respeita à gestão financeira, a constituição de sociedades gestoras e outras sociedades de capitais públicos. Estes ajustamentos prosseguiram ao longo dos anos seguintes, com a criação de novas instituições e melhor precisão das atribuições das já existentes.

Dos ajustamentos adoptados pelo PRE, é extinta, em 1989, a Unidade de Direcção da Pesca de Pequena Escala, a então gestora dos CP's. São assim criadas novas instituições, nomeadamente, o Instituto de Desenvolvimento da Pesca de Pequena Escala (IDPPE), a Sociedade de Fomento Pesqueiro (SFP) e o Fundo de Fomento Pesqueiro (FFP).

Na década de 90 e como reflexo das mudanças conjunturais verificadas no país e que coincidem com a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992, assiste-se, no Sector Pesqueiro novas mudanças que culminam com a extinção da então SEP em 1994. Consequentemente, é criada a Direcção Nacional das Pescas (DNP) que herdou parte das atribuições da extinta SEP e, paralelamente, se cria o Ministério da Agricultura e Pescas (MAP) que passou a subordinar todas as instituições do sector que, outrora, estavam tuteladas pela Secretaria de Estado das Pescas.

À luz das segundas eleições multipartidárias de 1999, o Sector Pesqueiro, pela primeira vez conhece o seu específico Ministério, o das Pescas
(MP), para a materialização da sua Política Pesqueira e Estratégias de sua Implementação.

 
 
 
 

 
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